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terça-feira, 3 de novembro de 2009

reunião 30/out


Disseram que okupação da Kaza no Pedregulho já tinha começado.
O Projeto Kartas pensa em uma forma de criar a presença da kaza em diferentes lugares e lares. As cartas, antigamente, eram a única via de comunicação entre as pessoas. Levavam muitos dias, até meses para chegar. No início, iam de navio. E quando saía um navio. Existiu uma kaza, na rua Pouso Alegre, tradicional bairro Floresta, em que encontramos muitas cartas antigas. A casa, do início do século, sedia seus chãos. Ela tinha dois andares, mas era difícil trafegar pelo de cima. Seu chão começava a desmoronar entre as vigas de madeira. Grande parte dele, na verdade, já tinha sedido e já encostava no piso do andar de baixo. De cima, via-se os dois andares ao mesmo tempo. Com muito cuidado - me lembro -, a gente andava com o pé sobre as vigas para conhecer o andar de cima, até onde achávamos que dava. Havia um monte de papéis e tecidos amontoados no centro de um cômodo que ainda resistia. Encontramos lá cartas vindas da Europa. Impressões de uma filha que deixava os pais no Brasil, quase cem anos atrás. Irmãs italianas que saudavam parte da família que vinha para Belo Horizonte, em processos de imigração. Histórias do início da cidade. Fotos e cartões postais que tinham a idade da casa.
A casa da rua Pouso Alegre seria a Kaza 5. Era maravilhosa. O velho Sr. Carlos, advogado aposentado, no entanto, voltou atrás: não queria que os kazeiros continuassem suas visitas àquele local que tinha passado a infância. Seus tios tinham ensinado desenho nos alpendres daquela casa, toda a vida, mas ele não sensibilizou com a kausa dos artistas.
As cartas foram, então, meio escolhido pela Kaza 613 cumprir uma série de funções. Os kazeiros pensam as Kartas conjuntamente, a cada encontro, mas cada uma partirá das mãos de cada kazeiro. Como disse o Rafa, o koletivo se vale enquanto tal, na individualidade de cada um.
Para as Mezas Vazias no Pedregulho, já pensamos em alguns artistas. Alguém tem o endereço deles?

Tales
30/out
Entre o Maletta e o Pelicano (esse bar acho que não tem nome)
[tales, junia, paulo, dani, maíra, marconi, rafa, hernani]

domingo, 25 de outubro de 2009

Roda de conversa no apê do Hernani

Neste domingo o grupo da Kaza 613 encontrou para fazer uma macarronada especial na casa do Hernani.

Ingredientes:
Caixa de correiro para o apartamento 613; carimbinhos personalisados da KazaVazia; inspiração para escrever a primeira carta; manjericão; cartas constando o endereço da sede fixa da KazaVazia; os endereços de cada kazeiro; imagens do encontro no Pedregulho; a relação do projeto arquitetônico e o imprevisível; projetos de arte para o Pedregulho; relógios de sol; tinta cor-de-céu; kartas vazias; sopas de pedra e jantares amarelos.

25/out
[marconi, hernani, paulo, aline, tales, junia, dani, maíra, rafa]

domingo, 11 de outubro de 2009

Reunião antes do grupo de estudos

"Karos e baratos!
Escrevo para relatar que a reunião no Mercado Novo foi um sucesso!
(...)Elegemos dois eixos de trabalho: o apê dos kazeiros e todo o complexo do Pedregulho. (áreas comuns e outros apartamentos). Valorizamos as ações a serem compartilhadas em espaços mais “públicos”, mas não podemos esquecer da questão do “Lemkaza”, dos chás, do receber pessoas, em kaza, que fazem parte da ação do grupo, por exemplo.
Pensamos em abrir o Inedital Kaza 9 no Rio..
Jac falou que provavelmente fará um trabalho que vai se valer de todas as ações dos kazeiros, talvez uma espécie de “costura”, se eu entendi bem. Chegamos a pensar que os trabalhos são elaborados concomitantemente, assim como podem ir surgindo ao mesmo tempo. Sempre um trabalho influencia o outro. No entanto, é importante pensar que o trabalho está surgindo nas próprias conversas, idéias e pesquisas que fazemos. Ele não começa apenas na hora em que sua execução se inicia, mas muito antes, em processos de interação do coletivo.
Agora, o coletivo presente assume a Kaza.
Dani falou que o apê foi liberado pela vovó. Sendo assim, os kazeiros vão morar em Copacabana, por dois dias.
Abrás,
Tales"



10/out
[Tales, Paulo, Dani, Jac, Marconi, Maíra, Hernani]

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

sexta no museudomuseu

Na sexta, dia 25/set, a Kaza consegue marcar o tão esperado encontro com a artista e professora Daisy Turrer. Dedicada observadora da Kaza Vazia, Daisy é sempre convidada nas Mezas Vazias (3ª, 5ª, 8ª edição da galeria de arte itinerante). Há tempos, ela lembrava da vontade de encontrar com o grupo a fim de discutirmos algumas idéias, algumas diretrizes e o tempo por vir da Kaza.
Conversamos sobre a 8ª edição e acabamos for fazer um grande apanhado da trajetória do coletivo. A avaliação da última ocupação foi um dos pontos reforçados.
Daisy colocou que a Kaza poderia investir de maneira mais específica nos seus projetos, para além do que é encontrado no espaço. Por exemplo, o trabalho das escadas de arte; pensamos: porque não investir maciçamente? Por que explorar as possibilidades dessa idéia apenas contando com os restos de madeira encontrados pela casa? Por que não pensar em adquirir mais madeiras para projetos maiores?
Daisy batiza a reunião da documentação, materiais, vídeos, fotos e textos da Kaza, em homenagem ao espaço, como Museu-do-museu-da-Kaza-Vazia.
Concluímos que um grande número de pessoas pode dificultar os processos do coletivo. Ela pode se propor a formatos mais enxutos, sem deixar de ser diversa e alimentar da sua heterogeneidade.
Ainda sobre o aprimoramento da performance da Kaza, precisamos assumir a existência de um núcleo que cuida dela para além das ocupações temporárias. Kazeiros que pensem ela e mantenham suas relações aquecidas. Isso não implicaria em contrariar a sua dinâmica nômade e efêmera, mas sim em abrir a uma nova frente de trabalho responsável pela produção da Kaza em outras instâncias.
É interessante pensar um novo formato para a Kaza: sem mudar a sua identidade, que talvez seria a sua diversidade.
Em arroubos poéticos que revelam sempre a sua paixão pela gravura, Daisy compara a P.E. (prova de estado) à K.V. (Kaza Vazia). Traz um sentimento de “ainda não”, de incompletude.
Conversa vai, conversa vem, ela me lembrou de alguns dizeres do Blanchot, no Livro por Vir. A minha imagem da sua fala foi várias cazas numa mesma imagem, como uma fotografia de nove exposições: "a experiência de uma edição compõe e contém as várias outras próximas".
E pensamos, em todas elas precisaríamos morar? Devemos pensar bem antes de tomar essa atitude. Tratar com questões políticas, sociais (poeira levantada na Kaza 8): ao fazer essa escolha deve-se pontuar o contexto, adentrá-lo e 'localizá-lo no mapa'.
Galerias de arte dentro da Kaza (um coletivo que se diria“não-institucional”): “mode moinho que mói a si mesmo” – Daisy (mas essa frase eu ouvi assim. Deslocamentos que o ar do MuseudoMuseu faz com os sons).
E contamos sobre os nossos planos, a nossa sede fixa no Mercado Novo, um projeto do início do ano que agora é retomado. O Horário Komercial está sendo limpado. E precisa ser estimulado. Que tal ler um texto de Borges, em conjunto, em suas salas? E poesias, que criem dinâmicas de ações fortes e poéticas.
“O imaginário não tem paredes” – disse a Daisy, deslumbrada. E disse que chegaria o tempo em que a galeria ia deixar de existir e bastaria a gente olhar pro céu. E o seu próximo trabalho seria uma instalação de chuva.. (eu ia pedir pra ajudar pra aprender a montar).
E apresentando pra ela o Projeto Pedregulho, pensamos que ela seria uma edição da Kaza Vazia distinta (mas como todas são diferentes entre si). Vamos prestar um serviço, temos propósitos já definidos. Vamos ativar espaços.
Energia dourada de sol aquece as paredes da Kaza Vazia. Sinceros agradecimentos à querida Daisy.

25/set
[Marconi, Marina Rb, Lucas, Andréia e Davi, Maíra, Tati, Poeira, Luis, Alê, Luana, Luanita, Tales, Cris, Maíra, Lucas, Aline, Paulo, Hernani]

sábado, 19 de setembro de 2009

segundas conversas

Nos sábados 12 e 19 do mês de setembro, a Kaza Vazia se reuniu no Mercado Novo. A prosa-tarefa se deu em meio à coleta de 2 quilos de poeira in natura e muita ralação.
Hoje mesmo, falamos sobre o projeto Adote um artista e a dinâmica de revezamento de kazeiros no Rio de Janeiro. Em pleno novembro primaveril beozontino, um trança-trança até o Rio. As coordenadoras do Projeto Pedregulho garantiram que, se o grupo topasse ir de ônibus, podemos contar com mais pessoas além das cinco por ele planejadas, ou seja, 10 viagens.
Um ponto estratégico daqui de Minas é o IAPI. Alvo de pesquisa da Kaza Vazia durante sua 4ª edição, o maior conjunto habitacional da América Latina, quando foi construído, e filho bastardo de Oscar Niemeyer. Na Kaza 4, fizemos o Projeto Cartas. Sua proposta primeva era criar pontes de comunicação entre moradores por meio da carta social (carta de 1 centavo). Na Kaza 9, talvez essa idéia pode se concluir. Pensamos assim em contatar Raíssa e Patrícia. Os kazeiros que não estivessem no Rio estariam em BH, articulando o projeto no IAPI.
Pois então, Adote um artista e Projeto Cartas. Por enquanto, dois projetos muito tendadores. Precisamos é pensar como dar asas a eles.

porta da sala H do HK, Horário Komercial Kaza Vazia, Mercado Novo
[19/set: marconi, hernani, paulo, aline, tales e junia]
[12/set: rafa, tales, junia, poeira, luis, caio (cris), lucas]


sábado, 29 de agosto de 2009

primeira conversa

aberto não quer dizer sem forma... falou o Lucas
um grupo aberto e que depois toma corpo... falou Andréia

vamos definir planos de ação que podem discutir a Kaza e Pedregulho?
vamos nos encontrar regularmente.
podemos usar nosso espaço no Mercado Novo para trabalharmos juntos, experimentarmos idéias e pensarmos em projetos para o Rio.
não cabe usar o formato "galeria-de-arte-itinerante" nessa atuação.
é interessante ter sintonia entre as estratégias. vale pensar nos projetos coletivos da Kaza, como o Almoço, da quinta edição.

estar na Kaza presencialmente: aquecer dentro do grupo, na montagem da ocupação, prepara o integrante para atuar, mesmo que ele não esteja no Pedregulho, fisicamente, durante a residência.

quantas pessoas poderão ir para o Pedregulho?
(depende de quantas pessoas cabem no quarto que a produção do projeto vai nos conceder)
"Projeto Adote Um Artista"
uma campanha que antecederá a residência da Kaza no Pedregulho. Os artistas dormem nos apartamentos dos moradores.



segundo andar do maletta:: 27/08/09
[hernani, beto, poeira, marconi, junia, tales, lucas, andréia, jac, rafa perpétuo]